quinta-feira, 15 de maio de 2014
Entrevista com Luiz Léo - PUC-Rio
Em entrevista para nosso blog, o professor das matérias Midias Globais e Marketing Esportivo da PUC - Rio, posicionou-se em relação à Copa do Mundo que ocorrerá no Brasil no mês de junho deste ano.
Como profissional, ele vê uma possibilidade de um grande crescimento e reconhecimento do mercado no país e, como o Brasil se comprometeu com esta missão com o mundo todo, deve sim honrá-la. Mas, claro, nunca querer realizar algo acima do que podemos oferever.
Como cidadão brasileiro, ele afirma que há exageros. Tudo que se faz no Brasil, tem ausência de planejamento, é contraditório e insano.
Como trabalha também na Tijuca, bairro do estádio do Maracanã, pode ver o trem, por exemplo, à 45 dias da Copa, ainda em obra. Isso é uma vergonha.
Como trabalha também na Tijuca, bairro do estádio do Maracanã, pode ver o trem, por exemplo, à 45 dias da Copa, ainda em obra. Isso é uma vergonha.
Segundo ele, a forma de se realizar o evento é ruim, com investimentos públicos e custos astronômicos. Desta maneira, claro que os cidadãos ficam indignados, além da forma arbitrária do policial tratar os manifestantes, das desapropriações, etc.
"Lamentável estarmos utilizando este evento de forma tão mal feita. O Brasil está deixando uma impressão péssima", diz ele se referindo às estruturas, trens, aeroportos, rede hoteleira, feriados nos dias de jogo.
Há menos de um mês da Copa, estamos com tudo por fazer. Não há como não haver um paralelo com a copa de 1950, onde o Maracanã ficou pronto na véspera e os jogos foram realizados com escombros e andaimes.
Sobre as manifestações, ele afirma que a tecnologia está ajudando a nos entendermos e sermos mais participativos, somos agentes capazes de intervir no processo político.
Apreensivo, ele diz que está tudo sendo feito de uma maneira muito amadora e as consequências podem ser imprevisiveis.
"Imagina que situação: Brasil faz a Copa do Mundo pra ser um cartão de visitas de ingresso ao primeiro mundo, ao mundo desenvolvido, e de repente vai passar pela porta dos fundos porque vai ter violência, vai ter desentendimento, conflito. Eu espero que não, torço que não, mas estou convencido que a chance de haver de haver é muito maior que a de não haver as manifestações."
"Imagina que situação: Brasil faz a Copa do Mundo pra ser um cartão de visitas de ingresso ao primeiro mundo, ao mundo desenvolvido, e de repente vai passar pela porta dos fundos porque vai ter violência, vai ter desentendimento, conflito. Eu espero que não, torço que não, mas estou convencido que a chance de haver de haver é muito maior que a de não haver as manifestações."
Ouça na íntegra.
domingo, 11 de maio de 2014
Relatório de G2 – Amanda Weaver – Grupo de Campo
Realizei – em sala de aula e em casa – as atividades
propostas pelo professor e compareci a todas as aulas.
Junto com a Júlia Weibert, fiquei encarregada de levar parte
dos questionários presencialmente a alunos e outras pessoas do universo PUC. O
resultado, que a Júlia já postou aqui no blog, demonstra que a pesquisa
presencial intimida mais que a via internet. Os ‘entrevistados’ pensaram bem
antes de responder, perante nosso olhar de ‘entrevistadoras’. O #naovaitercopa
ganhou menos força em comparação à pesquisa online, nitidamente porque ela foi
compartilhada por integrantes e/ou simpatizantes dos “Black Blocs RJ”.
Procurei não apenas entregar os questionários, mas analisar
a feição das pessoas enquanto os preenchiam e até comentar com algumas delas sobre
as respostas. Assim, observei que a maioria está confusa e não é radical. E
estamos falando – se é que se pode generalizar – de uma elite sócio-cultural,
de quem se espera advir ciência a respeito dos problemas da Copa e da
infra-estrutura do país para sediá-la. Observei também que, embora tenham marcado
determinado tópico, as pessoas no geral estavam maleáveis ao comentar sobre sua
receptividade em relação ao evento. Pontuo que, no “boca-a-boca”, a maioria não
se mostrou disposta a ir para as ruas, mas sim a viajar, por esperar que o
evento se torne um caos.
Também fiz vídeos com duas jornalistas do meu trabalho – uma
é aluna de pós-graduação da PUC, e a outra, ex-aluna da universidade. Postei no
blog e, como se pode ver, apesar das opiniões diferentes em alguns aspectos,
elas mostram-se favoráveis ao evento. Pautam-se na premissa de que o melhor a
se fazer agora é curtir e dar apoio ao Brasil, visto que os investimentos já
foram feitos. Conversando em off com
outras jornalistas, percebi que há uma espécie de consenso de que o Brasil vai
ficar caótico com a Copa e o ideal para nós, moradores, seria viajar. Mas nem
todos têm essa opção. Também constatei que, dentro do grupo de jornalistas com
o qual convivo, a maioria deseja
assistir aos jogos do Brasil – mesmo quem diz não gostar de futebol...
Pretendo fazer mais vídeos no formato dos que postei.
Pesquisa de Campo nº2 - parte feita pela internet
Colocamos nas redes sociais uma pesquisa com 10 perguntas sobre a Copa do Mundo que será realizada daqui a um mês no Brasil. O grande número de respostas se deve ao fato de que nossa pesquisa foi compartilhada pela página do Facebook "Black Blocs RJ". Os resultados abaixo estão na íntegra, sem nenhuma modificação, por isso, há idades, nomes e ocupações que parecem inverossímeis, provavelmente fruto de ironia por parte de alguns dos "entrevistados". A enquete foi publicada no dia 20 de abril e retirada no dia 11 de maio.
Pesquisa
Enquanto uma parte da pesquisa sobre a
Copa foi feita via internet, eu e a Amanda ficamos encarregadas de
fazer a outra parte abordando alunos, professores e funcionários da
PUC.
O resultado da pesquisa (a parte feita
através da abordagem na faculdade) foi o seguinte:
Em relação a opinião quanto a Copa
ser realizada no país:
50% Indiferente
25% Ótimo
25% #NãoVaiTerCopa
Em relação a ser a favor ou não da
Copa no Brasil na época da candidatura:
65% Sim
35% Não
Em relação a achar que a Copa vai
ajudar a melhorar a imagem do país:
50% Talvez
35% Não
10% Sim
5% Não sei
Em relação a como a pessoa se sente
com os resultados das obras feitas:
80% Insatisfeito
15% Satisfeito
5% Indiferente
Em relação aos investimentos feitos
para a Copa:
50% Necessários, mas feitos de forma
equivocada
45% Insuficientes
5% Desnecessários
0% Foram feitos de forma adequada
Em relação a estar disposto a ir para
as ruas protestar:
70% Não
30% Sim
Em relação a como se sente com o
evento:40% Vai ser caótico
30% Indiferente
25% Animado
5% Ansioso
0% Vai para a rua protestar
Em relação a como será o evento:
75% O Brasil vai parar
15% Vai ser ótimo
10% Vai ter confusão
0% Calmo e vazio
Em relação ao apoio dos jogadores às
manifestações:
60% Não sei, estão em uma posição
difícil
30% Sim, deveriam mostrar apoio
10% Não, eles não têm nada a ver com
isso
Em relação a se o Brasil vai ganhar a
Copa ou não:
40% Não
35% Sim
25% Não sei/ não gosta de futebol
Conclusão:
A
partir desses resultados pudemos concluir que metade
desses
entrevistados se disse indiferente com a Copa, mas
mais
da metade era a favor da Copa no Brasil na
época da candidatura. Poucos acham que o evento ajudará a melhorar
a imagem do país. Muitos acham que o Brasil não está preparado
para receber um evento desse porte e estão insatisfeitos com os
resultados das obras feitas por terem sido mal feitas ou serem
insuficientes. O sentimento em relação a Copa está bem dividido,
uns animados, outros indiferentes mas em questão do evento, a
maioria acha que o país vai parar por falta de infraestrutura mas
poucos estariam dispostos a ir para a rua protestar. Mais
da metade acha que os jogadores estão em uma posição difícil em
relação aos protestos.Quanto
à vitória do Brasil, quase
empatado, o 'não' ganha.
sábado, 10 de maio de 2014
Relatório de participação
Por Marianna Firme
Além das atividades obrigatórias propostas em sala de
aula, procuro postar no blog matérias publicadas em diferentes veículos
relacionadas à Copa do Mundo. Um exemplo é a reportagem veiculada no portal
PUC-Rio Digital sobre a remoção da comunidade da Vila Autódromo, na Zona Oeste.
A matéria é do Tiago Coelha e foi produzida por mim.
Participei da formulação e da divulgação do questionário
sobre a Copa para os alunos e funcionários da PUC. Também produzi, com Luísa
Taranto e Tiago Coelho, algumas entrevistas sobre a opinião das pessoas em
relação ao evento.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
7ª e última parte dos depoimentos da pesquisa de campo
“Não
vejo motivo para cancelarem a Copa. Acho ridículo não construírem e reformarem
hospitais, assim como todos os indignados, mas como foi dito na opção anterior,
o dinheiro já foi gasto. E além disso, a Copa está gerando novos empregos,
entre outros benefícios.
Recomendo que leiam esse texto:http://cbjm.wordpress.com/2013/06/24/no-im-not-going-to-the-world-cup-a-desconstrucao-de-uma-fraude/”
Recomendo que leiam esse texto:http://cbjm.wordpress.com/2013/06/24/no-im-not-going-to-the-world-cup-a-desconstrucao-de-uma-fraude/”
Mario
Fajardo, 22 anos, ilustrador freelancer
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Acho
válida a motivação para os protestos, porém fiquei desacreditada com a
violência gerada a partir deles e parei de participar. A Copa do Mundo vai
acontecer e penso que devemos receber os turistas que vem pra cá da melhor
maneira possível, pois estes são importantes economicamente para o país.”
Gabriella
Mello, 21 anos, estudante de Engenharia de Bioprocessos na UFRJ
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Um
absurdo a quantidade de dinheiro gasto pra algo tão fútil, quando poderia ser gasto com saúde e
educação. Isso só mostra que o
governo quer que o povo continue ignorante para que possam ganhar votos com
mentiras e corrupção.”
Deborah,
21 anos, estudante
Escolheu a opção: #NãoVaiTerCopa
- Espero que todos se mobilizem para ir às ruas mostrar que a população
brasileira precisa de coisas mais importantes do que a Copa, como saúde,
transporte, educação e segurança de qualidade.
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“Acho
que não foi levado a sério como deveria e agora o país está quase em um status
de piada pro mundo. O dinheiro deveria ter sido melhor investido e o tempo
melhor utilizado.”
Anônimo,
21 anos, estudante
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Na
minha opinião, cancelar um evento mundial o qual foi gasto bilhões de reais e
não tem volta, seria uma tremenda burrice. Infelizmente, essa quantia gasta
poderia ser usada na educação, transporte, saúde e segurança, investindo no
próprio país. A única alternativa seria a população arranjar uma maneira
de mostrar mundialmente como é o
verdadeiro Brasil, juntamente com seus problemas corriqueiros que são muito
graves.”
Gustavo
Busch, 21 anos, estudante
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Prioridades
básicas primeiro. Educação, hospital e etc”
Bruno, 32
anos, professor
Escolheu a opção: #NãoVaiTerCopa
- Espero que todos se mobilizem para ir às ruas mostrar que a população
brasileira precisa de coisas mais importantes do que a Copa, como saúde,
transporte, educação e segurança de qualidade.
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“Bom
saber que a maioria da população de classe media, pelo menos, esta mais atenta
as questões econômicas e políticas que circulam a escolha do Brasil como pais
sede. Seria muito ruim que toda essa preocupação se esvaziasse depois do final
da Copa e não se revertesse em votos mais conscientes nas próximas eleições. O
melhor jeito de mudar a situação de um pais é através da eleição de
representantes mais capacitados e da discussão continua e pacifica a cerca dos
problemas nacionais.”
Luiza, 20
anos, estudante
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Grandes
eventos geram riqueza. Resta saber pra onde vai esta riqueza. Acho que o Brasil
vai passar vergonha: infraestrutura pífia, estádios inacabados e povo sem educação.”
Tania
Renno, 61 anos, aposentada.
Escolheu a opção: Espero
que seja um sucesso! Adoro futebol e quero que os estrangeiros tenham uma ótima
impressão do nosso país
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“Quem
procurou a FIFA para sediar a Copa foi o Brasil; não fomos obrigados a
sediá-la. Na época em que divulgaram que seríamos o país sede da Copa de 2014,
o Brasil recebeu a notícia com muita festa e não houve manifestação ou oposição
ao evento. Isso ocorreu pois, além do amor ao esporte, nós brasileiros
estávamos esperançosos em ter um país melhor, com maiores investimentos em
infraestrutura e mobilidade urbana, pelo menos. Acreditávamos que, com a
pressão internacional de sediarmos um evento mundial, nosso governo seria
'obrigado' a fazer melhorias em nosso país. No entanto, os atrasos nas obras, o
desvio de dinheiro público e a falta de organização do evento mostraram - ou
melhor, comprovaram - o descaso que nossos políticos têm com o nosso país.
Estou muito descontente com o nosso governo, porém "boicotar" a Copa
a essa altura do campeonato, seria hipocrisia e falta de comprometimento com um
evento mundial que nosso próprio país, voluntariamente, se responsabilizou em
organizar. Além de estarmos indo no mesmo caminho dos nossos políticos em não
cumprir com o prometido, o "boicote" resultaria em uma falta de
confiabilidade no Brasil, no cenário mundial. Os problemas que hoje afligem
nossa população são antigos; precisamos sim nos manifestar... Mas não
desperdiçando todo o dinheiro que já foi gasto e estragando ainda mais a
reputação que temos lá fora. Se não concordássemos em sediar a Copa, que
fizéssemos manifestações antes de sermos escolhidos para tal.. Por isso desejo
que a Copa aqui no Brasil ocorra da melhor forma possível e que tentemos, pelo
menos um pouco, reverter a imagem que temos internacionalmente.”
Débora, 20
anos, estudante
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Acho
que os Governos no Brasil (Federal, Estaduais e Municipais), em geral, não tem competência
para organizar esses eventos. Espero que corra tudo bem, mas acho que o Brasil não
deveria ter sido escolhido.”
Lucia
Weaver, 57 anos, aposentada.
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Não
estamos preparados para nenhum tipo de grande evento desse porte no Brasil, mas
já que foi eleito e aceito devemos correr atrás do que falta.”
Christiane
Zainotte Costa Lima
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Acho
um absurdo o governo investir milhões em um evento esportivo de cunho mundial e
não melhorar os serviços básicos prestados à população. Não acredito que uma
mobilização hoje irá mudar o que já está sendo planejado há tantos anos.”
Maria
Clara Soares, 24 psicóloga
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
6ª parte dos depoimentos da pesquisa de campo
“Foi
gasto um grande dinheiro com essa copa, isso concordo com a maioria.
Mas haverá um grande retorno financeiro e um grande amplio de oportunidades para o pais, se o evento for um sucesso.”
Mas haverá um grande retorno financeiro e um grande amplio de oportunidades para o pais, se o evento for um sucesso.”
Anônima,
22 anos, estudante
Escolheu a opção: Acho
ótimo, o Brasil está precisando ser o foco no cenário mundial
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“Porque
já está na hora de termos um mundial de futebol. Mesmo não concordado com os
gastos exorbitantes, na construção dos estádios. Porém com toda certeza teremos
um excelente retorno, não só financeiro como na parte de mobilidade
urbana.
Acredito que esta pesquisa está atrasada pois deveria ser feita um ano antes da escolha do país sede da competição. Uma pesquisa agora e com toda certeza inoportuna.”
Acredito que esta pesquisa está atrasada pois deveria ser feita um ano antes da escolha do país sede da competição. Uma pesquisa agora e com toda certeza inoportuna.”
Maria, 61
anos, musicista.
Escolheu a opção: Espero
que seja um sucesso! Adoro futebol e quero que os estrangeiros tenham uma ótima
impressão do nosso país
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“O
país passa por uma situação que não condiz com os gastos exorbitantes do
Governo em um evento desse porte. Acho excelente uma Copa no Brasil! Não da
forma como foi/ está sendo feita, não com as condições sociais como estão
implantadas atualmente no país.”
Anônimo,
23 anos, estudante universitário
Escolheu a opção: #NãoVaiTerCopa
- Espero que todos se mobilizem para ir às ruas mostrar que a população
brasileira precisa de coisas mais importantes do que a Copa, como saúde,
transporte, educação e segurança de qualidade.
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“Anarquia!”
Anônimo
Escolheu a opção: #NãoVaiTerCopa
- Espero que todos se mobilizem para ir às ruas mostrar que a população brasileira
precisa de coisas mais importantes do que a Copa, como saúde, transporte,
educação e segurança de qualidade.
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“É
revoltante ver nosso dinheiro saindo e sendo embolsado por esses políticos que
só querem ver o Brasil no foco do cenário mundial. Não torço por mortes e nem
tragédias, mas é preciso que a população se manifeste. Dessa forma os turistas
verão que o Brasil não é essa maravilha toda!”
Isabel Scorza,
20 anos, estudante
Escolheu a opção: #NãoVaiTerCopa
- Espero que todos se mobilizem para ir às ruas mostrar que a população
brasileira precisa de coisas mais importantes do que a Copa, como saúde,
transporte, educação e segurança de qualidade.
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“Preços
exorbitantes e lavagem de dinheiro.”
Isabela
Rodrigues Manes
Escolheu a opção: #NãoVaiTerCopa
- Espero que todos se mobilizem para ir às ruas mostrar que a população
brasileira precisa de coisas mais importantes do que a Copa, como saúde,
transporte, educação e segurança de qualidade.
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“Adoro
futebol e fico muito feliz que o maior evento do esporte vai acontecer aqui!
Sei que houve muita corrupção e tudo, muita coisa está errada, mas mesmo assim,
espero me divertir na Copa e que os erros sirvam para não repetirmos eles no
futuro e para refletirmos sobre o que podemos mudar.”
Anônimo,
23 anos, Estudante
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Porque
parece absolutamente insatisfatório que não consigamos fazer nada além de
aceitar uma organização social, cujos principais eventos (devemos lembrar
sempre que grandes eventos como a copa, na verdade, são grandes NEGÓCIOS) girem
em torno de corporações e de empresas interessadas em fazer tanto mais lucro
quanto possível. Porque, de outro modo, vale menos a pena a vida em sociedade.
Porque existem coisas mais importantes que o dinheiro. Porque vivemos uma
catástrofe climática. Porque nenhum Brasil existe.”
Lucas
Matos, 28 anos, ator.
Escolheu a opção: #NãoVaiTerCopa
- Espero que todos se mobilizem para ir às ruas mostrar que a população
brasileira precisa de coisas mais importantes do que a Copa, como saúde,
transporte, educação e segurança de qualidade.
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“Não
gosto de futebol nem de cidade intransitável: duas previsões em um pais sem planejamento,
previsão, fiscalização e seriedade!”
Anônimo,
65 anos, auditor interno
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Foi
uma tolice trazer a Copa e as Olimpíadas para o Brasil.”
L.G
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Ninguém
reclamou ou protestou quando o pais se candidatou. Agora querem protestar e
fazer baderna, pra resolver o que?
Só nos resta "tocar a bola" pra frente e torcer pro fiasco não
ser geral.”
Vera Lucia
Bastos, 69 anos, aposentada
Escolheu a opção: Espero
que seja um sucesso! Adoro futebol e quero que os estrangeiros tenham uma ótima
impressão do nosso país
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“O
Brasil tem potencial para se destacar no cenário internacional. Precisamos,
sim, que o povo continue na rua, reivindicando direitos e prioridades justas.
Mas é fato que a Copa do Mundo também trará benefícios ao país.”
Anônimo, 21
anos, estudante
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
5ª parte dos depoimentos da pesquisa de campo
“Desde
o início me preocupo tanto com a Copa quanto com as olimpíadas. Obras feitas as
pressas - riscos aumentam. Falta de infra-estrutura para receber os turistas.
Ok, os turistas gostam do jeito improvisado do nosso país, mas até certo ponto.
Imagino que será muito grande o numero de pessoas chegando e transitando pelas
cidades. Atualmente, é só chover um pouquinho que não se encontra taxi,
"imagina na copa".
Quanto ao dinheiro gasto nos estádios, não saberia opinar, se o que teremos/estamos tendo de ganho com turistas antes, durante e depois, vai compensar ou não.
Precisamos de hospitais sim, mas é um outro assunto. Mesmo como leiga, me parece que são setores independentes.”
Quanto ao dinheiro gasto nos estádios, não saberia opinar, se o que teremos/estamos tendo de ganho com turistas antes, durante e depois, vai compensar ou não.
Precisamos de hospitais sim, mas é um outro assunto. Mesmo como leiga, me parece que são setores independentes.”
Patricia,
55, analista de sistemas.
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Endosso
as palavras de Flavio Medeiros:
‘Eu quero a Copa no Brasil. Eu quero os Jogos no Rio de Janeiro. Quero paciência para aguentar os transtornos das obras e quero o renascimento da zona portuária e que metrô chegue logo em Ipanema e na Barra. Quero o Arco Rodoviário e todas as BRTs possíveis, além dos VLTs.
Quero o desemprego em menos de 5%, quero que o país cresça e que a renda seja distribuída. Quero mais formados no Prouni e mais escolas de base. Quero mais sinal de WiFi livre e que mais crianças tenham acesso a informação. Quero que a indústria brasileira cresça. Quero construir navios, plataformas, submarinos e aviões no Brasil. Quero menos bóias-frias e mais soldadores.
Quero que a corrupção seja punida em todos os níveis e que a gente aprenda a ser melhor nas pequenas atitudes, nas nossas pequenas corrupções do dia a dia. Quero aeroportos melhores e, principalmente, mais brasileiros podendo experimentar o gosto de viajar. Também quero segurança e, junto com ela, aprender a ser mais tolerante e respeitar mais.
Não acho que o Brasil tem que ser Cuba e nem estados unidos. Mas acho que temos que entender que falamos uma língua estranha, mais parecida com o espanhol do que com o inglês. Quero a Copa no Brasil porque tenho orgulho de ter nascido aqui. Eu gosto de parecer com você, com os brasileiros. Quero a copa aqui porque quem faz ela dar certo sou e você. E, no que depender de mim, a Copa e o Brasil têm tudo para dar certo. Basta querer’."
‘Eu quero a Copa no Brasil. Eu quero os Jogos no Rio de Janeiro. Quero paciência para aguentar os transtornos das obras e quero o renascimento da zona portuária e que metrô chegue logo em Ipanema e na Barra. Quero o Arco Rodoviário e todas as BRTs possíveis, além dos VLTs.
Quero o desemprego em menos de 5%, quero que o país cresça e que a renda seja distribuída. Quero mais formados no Prouni e mais escolas de base. Quero mais sinal de WiFi livre e que mais crianças tenham acesso a informação. Quero que a indústria brasileira cresça. Quero construir navios, plataformas, submarinos e aviões no Brasil. Quero menos bóias-frias e mais soldadores.
Quero que a corrupção seja punida em todos os níveis e que a gente aprenda a ser melhor nas pequenas atitudes, nas nossas pequenas corrupções do dia a dia. Quero aeroportos melhores e, principalmente, mais brasileiros podendo experimentar o gosto de viajar. Também quero segurança e, junto com ela, aprender a ser mais tolerante e respeitar mais.
Não acho que o Brasil tem que ser Cuba e nem estados unidos. Mas acho que temos que entender que falamos uma língua estranha, mais parecida com o espanhol do que com o inglês. Quero a Copa no Brasil porque tenho orgulho de ter nascido aqui. Eu gosto de parecer com você, com os brasileiros. Quero a copa aqui porque quem faz ela dar certo sou e você. E, no que depender de mim, a Copa e o Brasil têm tudo para dar certo. Basta querer’."
Luiz
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Todas
as promessas feitas em 2007 foram descumpridas. O dinheiro utilizado foi
praticamente todo advindo dos cofres públicos. A infra-estrutura não foi
renovada a tempo. As privatizações dos aeroportos demoraram pra sair, e apenas
cinco foram privatizados. O Galeão continuará lamentável para a Copa. A
Infraero está mais sucateada do que nunca. O projeto do trem-bala não saiu do
papel. A cidade de SP ganhou um quinto estádio, totalmente desnecessário,
porque foi alvo de lobby pessoal de Lula, corintiano fanático. Quem construiu o
estádio foi a Odebrecht, cujo presidente é amigo pessoal de Lula. A copa foi
uma grande transferência de recursos públicos para empreiteiras, foi uma grande
farra de interesses privados em sintonia com um governo que não tem pudor de
ser corrupto. Sem falar dos elefantes brancos. No momento estou estudando fora
do Brasil e o que sinto quando ouço falar da Copa é vergonha. Uma grande
enganação do governo do PT. Para efeito de comparação, basta ver o que esta
sendo feito para os Jogos Olímpicos no Rio. Os preparativos do torneio são o
maior exemplo de que é possível realizar um evento de grande porte no Brasil
sem as promessas não cumpridas e atrasos. Depende apenas da boa vontade de quem
estiver no poder.”
Pedro
Rychter, 21 anos, estudante de engenharia na França
Escolheu a opção: Outros
– “Fui a favor em 2007 e vendo a farra com dinheiro publico realizada, hoje
seria contra o torneio no Brasil. Mas já é tarde, vamos organizá-lo”.
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“Necessário
punição nos casos de desvio de verbas (corruptor e corrupto) p q haja recurso
suficiente para investir na educação, transporte, saúde , segurança e saneamento
básico.”
Anônimo,
56,engenheiro
Escolheu a opção: Outros
- “Espero que corra tudo bem, mas ao mesmo tempo espero que a população se
mobilize para ir às ruas”.
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“Quando
fomos "escolhidos" para sediar a Copa, isso em 2008, o mundo entrava
em crise. Nenhum país do bloco Europeu, tampouco os EUA e o Canadá quiseram
bancar despesas volumosas para ter uma Copa do Mundo. Infelizmente, a
irresponsabilidade dos nossos governantes falou mais alto.”
Claudio,
55 anos, comerciante.
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Acho
que é uma competição mundial de tradição e deve ser encarada dessa forma. As
seleções envolvidas não tem nada haver com possíveis problemas de países que
estão sediando o torneio. Além disso, deve se aproveitar a oportunidade para
entrada de divisas com o turismo envolvido.”
Marcelo
Taranto
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Não
quero que o Brasil seja campeão... isso seria bom para a imagem da Dilma.”
Natasha,
24 anos, jornalista
Espero que corra tudo
bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não adianta cancelar.
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“Acho
que o momento de "parar o Brasil" já passou, agora nos resta
aproveitar a visibilidade que a copa dá para manifestações JUNTO com a copa. E
sempre de forma ordeira e pacífica.”
Laura
Fajardo médica 23 anos
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Mesmo
com todos os gastos da Copa uma boa realização, com segurança vai chamar mais a
atenção do mundo para o Brasil e isso ajudará na nossa economia e pode até
ajudar a repor os exorbitantes gastos.”
Anônimo,
21 anos, estudante
Escolheu a opção: Espero
que corra tudo bem, sem violência. Agora que o dinheiro já foi gasto, não
adianta cancelar.
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“Não
se pode gastar bilhões de reais do dinheiro publico em estádios, sem ter uma
estruturação dos principais pilares da sociedade. Saúde e educação.
Pedro
Cesar, 23 anos, estudante de medicina
Escolheu a opção: #NãoVaiTerCopa
- Espero que todos se mobilizem para ir às ruas mostrar que a população
brasileira precisa de coisas mais importantes do que a Copa, como saúde,
transporte, educação e segurança de qualidade.
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Pobreza extrema ainda desafia o Rio da Copa e dos Jogos Olímpicos
Reportagem: Tiago Coelho - Do Portal PUC-Rio
A poucos metros de cartões-postais como o Pão de Açúcar, próxima de estruturas como o Maracanã, cuja reforma movimenta R$ 1 bilhão, no coração da segunda cidade mais rica do país, a família de Gorete de Souza vive uma realidade comum aos 586 mil que, segundo Censo 2010 do IBGE, ainda amargam a pobreza extrema no Estado do Rio. Gorete mora no Morro Santo Amaro, no Catete, em plena Zona Sul carioca. Lá do alto, a deslumbrante vista para o Aterro do Flamengo e para a Baía de Guanabara contrasta com a mágica diária para pôr comida na mesa.
Em meio ao mar de investimentos prometidos ao Estado até 2016, quando acolherá a tão sonhada Olimpíada, a família de Gorete é uma ilha de pobreza onde ela e os cinco filhos sobrevivem com menos de R$ 70 por mês cada um. Para o governo Federal, vivem em situação de pobreza extrema as famílias cuja renda per capta é inferior a R$70.
À margem dos holofotes e dos orçamentos portentosos especialmente destacados em períodos eleitorais, a cearense radicada no Santo Amaro sonha que parte dos R$ 181,4 bilhões destinados ao Rio pelas iniciativas pública e privada, até 2013, possa ajudá-la a sair do buraco. Um buraco no qual, a despeito dos avanços decorrentes dos programas de distribuição de renda, ainda estão aproximadamente 16,2 milhões de brasileiros. O drama de Gorete abre a série de três reportagens que dão feições a esses números teimosos, alheios às ambições e aos discursos de sexta economia do mundo.
Desempregada, vivendo de bicos como doméstica, Gorete, 43 anos, sustenta a família com R$ 198 do Bolsa Família e R$ 120 do Cartão Carioca, ação de distribuição de renda do município. Na casa dividida com os cinco filhos, a renda mensal permite que cada um viva com R$ 53 por mês, R$ 1,73 por dia. No pequeno barraco de três cômodos, 18 metros quadrados no total, a ripa que sustenta o telhado está envergando e corre o risco iminente de cair. A parede da cozinha, polvilhada de rachaduras, também pode ceder a qualquer momento. Gorete sabe do perigo, mas reluta em chamar a Defesa Civil. Teme ser levada com a família para um local distante e diz que não tem como pagar a mensalidade do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, no qual tentou se inscrever.
– Tenho medo de nos mandarem para um abrigo longe. Pelo menos, aqui tenho tudo perto: escola, hospital. Se formos para um abrigo provisório, vão nos mandar para um lugar distante. Já tentei me inscrever para o Minha Casa, Minha Vida, mas não sei se consigo pagar. Queria que dessem um jeito na minha casa. Minha vida é aqui – aflige-se Gorete, que mora há mais de 30 anos no Morro Santo Amaro.
Às vezes a fome assola a casa de Gorete. Mesmo com a comida controlada, um racionamento obrigatório diante do orçamento familiar, não raramente falta "alguma mistura" e ela precisa da ajuda de vizinhos. Segundo a doméstica, com filhos pequenos, entre 7 e 12 anos, e a ausência de familiares com os quais possa deixá-los parte do dia dificultam a busca por emprego. Uma parcela do que ganha fazendo faxina ou passando roupa é usada para pagar alguém que cuide das crianças enquanto faz os bicos. No alto do morro, as crianças contam apenas com uma pequena quadra de piso irregular para brincar.
Com quatro crianças e um adolescente em casa, Gorete de Souza personifica mais uma estatística: 36% das mães no Brasil são chefes de família, estima pesquisa do Ibope. Os filhos desta cearense engolida pelo atraso têm pais diferentes – desconhecidos, mortos, ausentes.
– Dois dos pais deles morreram. Dois sumiram e um mora aqui perto, mas não ajuda em nada – resume Gorete, como se sintetizasse um Brasil renitente.
A única renda garantida da família vem da assistência do governo. Para aplacar os tentáculos da miséria, "é necessário mais do que os importantes programas de distribuição de renda", lembra o economista Francisco Menezes, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Na avaliação dele, é igualmente essencial oferecer serviços de qualidade que deem apoio para que as famílias superem a pobreza de forma mais ampla:
– Uma mãe que não tem creche perto de casa para deixar os filhos representa um tipo de carência que dificulta a entrada no mercado de trabalho – exemplifica – Conheço caso de mães que saem para trabalhar e deixam os filhos trancados em casa. É uma situação muito perigosa.
Gorete gostaria, como milhões de brasileiros em apertos semelhantes, que os filhos estudassem em tempo integral na escola. Argumenta que, assim, as crianças poderiam se alimentar e ficar em segurança enquanto ela trabalha.
– Tenho muito medo de ficarem jogados por aí. É difícil sair para trabalhar e deixá-los com qualquer um – desabafa.
O sufoco é sugerido pelo barraco remendado, mal iluminado e pouco arejado. A ventilação na casa passa apenas por um pequeno basculante ou pela única porta da residência, na qual políticos colam cartazes pedindo votos. A falta de circulação do ar faz proliferar o mofo sobre as paredes úmidas de infiltração. Na despensa e na geladeira a comida teima em acabar antes da hora:
– Estou passando um perrengue. Falta muito para acabar o mês e só tem um pouco de arroz, feijão e fubá. Às vezes eles pedem pão, leite, e não tem.
Custo de vida carioca dificulta saída da pobreza e exige ajuste nos parâmetros de avaliação
Não é preciso andar muito na comunidade de Santo Amaro para encontrar dramas parecidos. Quatro lances de escada acima da casa de Gorete, depois mais cinco lances abaixo, mora Tereza Ribeiro do Nascimento, 45 anos. No barraco de três cômodos, 15 metros quadrados, metade feito de tábuas de madeira, a outra metade de alvenaria, Tereza e os três filhos sobrevivem com os bicos do marido. Como tem de cuidar de um filho com necessidades especiais, ela também encontra dificuldade para trabalhar.
Somados o dinheiro do marido e o auxílio de programas assistenciais, a família vive com R$ 700 por mês e escapa da etiqueta "pobreza extrema" na qual se enquadram aquelas com R$ 70 per capita mensais. O parâmetro, contudo, revela-se um tanto desajustado a centros, como o Rio, em que o alto custo de vida morde com mais voracidade as receitas domésticas, pondera o secretário de Direitos Humanos e Assistência Social do Estado, Rodrigo Neves.
– Por ser uma região metropolitana, onde o custo de vida é mais alto, o repasse da renda precisa ser mais generoso. No Brasil sem miséria, o limite para medir a pobreza é de R$ 70 por indivíduo mensalmente, a partir da média nacional. No Rio, estipulamos R$ 100 per capita/mês – avalia o sociólogo formado pela Universidade Federal Fluminense.
Gorete e Tereza sabem bem o peso, na renda mensal familiar do custo de vida no Rio, que tem a terceira maior renda per capita do país, atrás só de São Paulo e do Distrito Federal. Moradora de uma das cidades mais caras das Américas, Tereza inclui, em seus gastos básicos, a compra sistemática de remédios e alimentos específicos para o filho que não consegue andar e mal sai da casa, num dos pontos mais altos do morro, de onde avista o Outeiro da Glória e o Palácio do Catete, antiga sede do governo federal.
– Não sobra quase nada. Queria fazer obra na casa, mas fica difícil. O dinheiro não dá – lamenta uma resignada Tereza.
A miséria no Estado do Rio concentra-se nas áreas metropolitanas. O estudo do IBGE aponta que, entre os que vivem na pobreza extrema, 91,5% moram na zona urbana e apenas 8,5% nas áreas rurais.
Tereza descarta a mudança para outra região, apesar das dificuldades impostas pela falta de dinheiro e expostas nas feições envelhecidas que sugerem mais do que os 45 anos da certidão. Também mostra-se resignada em relação à surpresa relativamente comum dos que, diante do rosto enrugado e dos cabelos brancos, descobrem sua verdadeira idade.
– Pela cara, pareço que tenho muito mais, não é? Todo mundo diz. Mas é o sofrimento da vida que faz isso com a gente – justifica, sem apelo ao óbvio.
A avaliação da pobreza extrema
Para determinar quem vive ou não em pobreza extrema, há critérios além da renda, observa Neves. A condição da moradia, a quantidade de cômodos, a escolaridade e o vínculo de trabalho formal ou informal também contam. É o chamado índice de vulnerabilidade, do qual Gorete não escapa em nenhum aspecto.
Como não concluiu o ensino fundamental, no Ceará, as opções no mercado tornam-se limitadas. Entre os bicos e os cuidados com o lar, confessa que seu maior medo é "adoecer e não poder cuidar dos filhos":
– Tudo o que espero é que meus filhos não descambem para o lado errado. Estou tentando criar na honestidade. Mas vou te falar, a vida tá muito dura.
Para defender tese de doutorado sobre a experiência da pobreza na favela de Rio das Pedras, zona oeste do Rio, a professora do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio Maria Sarah da Silva Telles fez uma pesquisa de campo na qual constatou casos como o de Gorete. Migrantes nordestinos em moradias precárias, carentes de políticas habitacionais e a mercê do poder paralelo:
– Acompanhei a trajetória de famílias na extrema pobreza, a maioria habitando em barraco de madeira, lutando para permanecer na favela, como a única possibilidade de permanecer na cidade do Rio, já que eram todos migrantes nordestinos. O que logo ficou claro foram a enorme carência de uma política habitacional na cidade e a absoluta dependência das lideranças locais, no caso composta de milicianos.
No morro Santo Amaro, a Força de Segurança Nacional inibe o tráfico, enquanto os moradores seguem a rotina na padaria, nas igrejas, nos bares. Ninguém opina sobre a presença do tráfico ou da polícia. A lei do silêncio fala mais alto. Transporte público no local, só alternativo.
Para brincar "com espaço e segurança", M.P. Silva, 45 anos, leva os três filhos para o Aterro do Flamengo nos fins de semana, pois não quer seus “meninos brincando pela comunidade". Durante a semana, quando não estão no colégio, ficam “presos” dentro de casa. Certa vez uma bala passou tão perto dela que ficou horas sentindo um zunido no ouvido. Noutra ocasião, teve a casa invadida por traficante que fugia da polícia. Com o marido de licença médica, conta com o auxílio do Bolsa Família para sustentar a família reforçada de um recém-nascido.
– Dá para se virar – diz, desanimada.
Ânimo para brigar com a pobreza
Diante da dureza, Gorete precisa buscar motivos diariamente para levantar da cama. Era uma manhã de sábado ensolarada no morro Santo Amaro quando, por volta das 10h, a equipe do Portal batia à porta. Gorete aninhava-se com as quatro crianças em uma cama de casal. O sol que ardia lá fora não penetrava na casa abafada e minúscula onde os pequenos logo pulavam agitados.
A agitação infantil era oposta aos gestos reservados de Gorete, como se procurasse forças para encarar o dia. Para Maria da Glória Rocha, coordenadora da Pastoral da Criança no Rio e veterana em trabalho assistenciais no morro, um dos principais desafios é recuperar a esperança que escorre pela falta de comida e de perspectiva:
– Quando se chega numa determinada situação de pobreza, no fundo do poço da miséria, as pessoas ficam com pouco ânimo e coragem para reagir. Levantar da cama é difícil.
A poucos metros de cartões-postais como o Pão de Açúcar, próxima de estruturas como o Maracanã, cuja reforma movimenta R$ 1 bilhão, no coração da segunda cidade mais rica do país, a família de Gorete de Souza vive uma realidade comum aos 586 mil que, segundo Censo 2010 do IBGE, ainda amargam a pobreza extrema no Estado do Rio. Gorete mora no Morro Santo Amaro, no Catete, em plena Zona Sul carioca. Lá do alto, a deslumbrante vista para o Aterro do Flamengo e para a Baía de Guanabara contrasta com a mágica diária para pôr comida na mesa.
Em meio ao mar de investimentos prometidos ao Estado até 2016, quando acolherá a tão sonhada Olimpíada, a família de Gorete é uma ilha de pobreza onde ela e os cinco filhos sobrevivem com menos de R$ 70 por mês cada um. Para o governo Federal, vivem em situação de pobreza extrema as famílias cuja renda per capta é inferior a R$70.
À margem dos holofotes e dos orçamentos portentosos especialmente destacados em períodos eleitorais, a cearense radicada no Santo Amaro sonha que parte dos R$ 181,4 bilhões destinados ao Rio pelas iniciativas pública e privada, até 2013, possa ajudá-la a sair do buraco. Um buraco no qual, a despeito dos avanços decorrentes dos programas de distribuição de renda, ainda estão aproximadamente 16,2 milhões de brasileiros. O drama de Gorete abre a série de três reportagens que dão feições a esses números teimosos, alheios às ambições e aos discursos de sexta economia do mundo.
Desempregada, vivendo de bicos como doméstica, Gorete, 43 anos, sustenta a família com R$ 198 do Bolsa Família e R$ 120 do Cartão Carioca, ação de distribuição de renda do município. Na casa dividida com os cinco filhos, a renda mensal permite que cada um viva com R$ 53 por mês, R$ 1,73 por dia. No pequeno barraco de três cômodos, 18 metros quadrados no total, a ripa que sustenta o telhado está envergando e corre o risco iminente de cair. A parede da cozinha, polvilhada de rachaduras, também pode ceder a qualquer momento. Gorete sabe do perigo, mas reluta em chamar a Defesa Civil. Teme ser levada com a família para um local distante e diz que não tem como pagar a mensalidade do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, no qual tentou se inscrever.
– Tenho medo de nos mandarem para um abrigo longe. Pelo menos, aqui tenho tudo perto: escola, hospital. Se formos para um abrigo provisório, vão nos mandar para um lugar distante. Já tentei me inscrever para o Minha Casa, Minha Vida, mas não sei se consigo pagar. Queria que dessem um jeito na minha casa. Minha vida é aqui – aflige-se Gorete, que mora há mais de 30 anos no Morro Santo Amaro.
Às vezes a fome assola a casa de Gorete. Mesmo com a comida controlada, um racionamento obrigatório diante do orçamento familiar, não raramente falta "alguma mistura" e ela precisa da ajuda de vizinhos. Segundo a doméstica, com filhos pequenos, entre 7 e 12 anos, e a ausência de familiares com os quais possa deixá-los parte do dia dificultam a busca por emprego. Uma parcela do que ganha fazendo faxina ou passando roupa é usada para pagar alguém que cuide das crianças enquanto faz os bicos. No alto do morro, as crianças contam apenas com uma pequena quadra de piso irregular para brincar.
Com quatro crianças e um adolescente em casa, Gorete de Souza personifica mais uma estatística: 36% das mães no Brasil são chefes de família, estima pesquisa do Ibope. Os filhos desta cearense engolida pelo atraso têm pais diferentes – desconhecidos, mortos, ausentes.
– Dois dos pais deles morreram. Dois sumiram e um mora aqui perto, mas não ajuda em nada – resume Gorete, como se sintetizasse um Brasil renitente.
A única renda garantida da família vem da assistência do governo. Para aplacar os tentáculos da miséria, "é necessário mais do que os importantes programas de distribuição de renda", lembra o economista Francisco Menezes, diretor do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase). Na avaliação dele, é igualmente essencial oferecer serviços de qualidade que deem apoio para que as famílias superem a pobreza de forma mais ampla:
– Uma mãe que não tem creche perto de casa para deixar os filhos representa um tipo de carência que dificulta a entrada no mercado de trabalho – exemplifica – Conheço caso de mães que saem para trabalhar e deixam os filhos trancados em casa. É uma situação muito perigosa.
Gorete gostaria, como milhões de brasileiros em apertos semelhantes, que os filhos estudassem em tempo integral na escola. Argumenta que, assim, as crianças poderiam se alimentar e ficar em segurança enquanto ela trabalha.
– Tenho muito medo de ficarem jogados por aí. É difícil sair para trabalhar e deixá-los com qualquer um – desabafa.
O sufoco é sugerido pelo barraco remendado, mal iluminado e pouco arejado. A ventilação na casa passa apenas por um pequeno basculante ou pela única porta da residência, na qual políticos colam cartazes pedindo votos. A falta de circulação do ar faz proliferar o mofo sobre as paredes úmidas de infiltração. Na despensa e na geladeira a comida teima em acabar antes da hora:
– Estou passando um perrengue. Falta muito para acabar o mês e só tem um pouco de arroz, feijão e fubá. Às vezes eles pedem pão, leite, e não tem.
Custo de vida carioca dificulta saída da pobreza e exige ajuste nos parâmetros de avaliação
Não é preciso andar muito na comunidade de Santo Amaro para encontrar dramas parecidos. Quatro lances de escada acima da casa de Gorete, depois mais cinco lances abaixo, mora Tereza Ribeiro do Nascimento, 45 anos. No barraco de três cômodos, 15 metros quadrados, metade feito de tábuas de madeira, a outra metade de alvenaria, Tereza e os três filhos sobrevivem com os bicos do marido. Como tem de cuidar de um filho com necessidades especiais, ela também encontra dificuldade para trabalhar.
Somados o dinheiro do marido e o auxílio de programas assistenciais, a família vive com R$ 700 por mês e escapa da etiqueta "pobreza extrema" na qual se enquadram aquelas com R$ 70 per capita mensais. O parâmetro, contudo, revela-se um tanto desajustado a centros, como o Rio, em que o alto custo de vida morde com mais voracidade as receitas domésticas, pondera o secretário de Direitos Humanos e Assistência Social do Estado, Rodrigo Neves.
– Por ser uma região metropolitana, onde o custo de vida é mais alto, o repasse da renda precisa ser mais generoso. No Brasil sem miséria, o limite para medir a pobreza é de R$ 70 por indivíduo mensalmente, a partir da média nacional. No Rio, estipulamos R$ 100 per capita/mês – avalia o sociólogo formado pela Universidade Federal Fluminense.
Gorete e Tereza sabem bem o peso, na renda mensal familiar do custo de vida no Rio, que tem a terceira maior renda per capita do país, atrás só de São Paulo e do Distrito Federal. Moradora de uma das cidades mais caras das Américas, Tereza inclui, em seus gastos básicos, a compra sistemática de remédios e alimentos específicos para o filho que não consegue andar e mal sai da casa, num dos pontos mais altos do morro, de onde avista o Outeiro da Glória e o Palácio do Catete, antiga sede do governo federal.
– Não sobra quase nada. Queria fazer obra na casa, mas fica difícil. O dinheiro não dá – lamenta uma resignada Tereza.
A miséria no Estado do Rio concentra-se nas áreas metropolitanas. O estudo do IBGE aponta que, entre os que vivem na pobreza extrema, 91,5% moram na zona urbana e apenas 8,5% nas áreas rurais.
Tereza descarta a mudança para outra região, apesar das dificuldades impostas pela falta de dinheiro e expostas nas feições envelhecidas que sugerem mais do que os 45 anos da certidão. Também mostra-se resignada em relação à surpresa relativamente comum dos que, diante do rosto enrugado e dos cabelos brancos, descobrem sua verdadeira idade.
– Pela cara, pareço que tenho muito mais, não é? Todo mundo diz. Mas é o sofrimento da vida que faz isso com a gente – justifica, sem apelo ao óbvio.
A avaliação da pobreza extrema
Para determinar quem vive ou não em pobreza extrema, há critérios além da renda, observa Neves. A condição da moradia, a quantidade de cômodos, a escolaridade e o vínculo de trabalho formal ou informal também contam. É o chamado índice de vulnerabilidade, do qual Gorete não escapa em nenhum aspecto.
Como não concluiu o ensino fundamental, no Ceará, as opções no mercado tornam-se limitadas. Entre os bicos e os cuidados com o lar, confessa que seu maior medo é "adoecer e não poder cuidar dos filhos":
– Tudo o que espero é que meus filhos não descambem para o lado errado. Estou tentando criar na honestidade. Mas vou te falar, a vida tá muito dura.
Para defender tese de doutorado sobre a experiência da pobreza na favela de Rio das Pedras, zona oeste do Rio, a professora do Departamento de Ciências Sociais da PUC-Rio Maria Sarah da Silva Telles fez uma pesquisa de campo na qual constatou casos como o de Gorete. Migrantes nordestinos em moradias precárias, carentes de políticas habitacionais e a mercê do poder paralelo:
– Acompanhei a trajetória de famílias na extrema pobreza, a maioria habitando em barraco de madeira, lutando para permanecer na favela, como a única possibilidade de permanecer na cidade do Rio, já que eram todos migrantes nordestinos. O que logo ficou claro foram a enorme carência de uma política habitacional na cidade e a absoluta dependência das lideranças locais, no caso composta de milicianos.
No morro Santo Amaro, a Força de Segurança Nacional inibe o tráfico, enquanto os moradores seguem a rotina na padaria, nas igrejas, nos bares. Ninguém opina sobre a presença do tráfico ou da polícia. A lei do silêncio fala mais alto. Transporte público no local, só alternativo.
Para brincar "com espaço e segurança", M.P. Silva, 45 anos, leva os três filhos para o Aterro do Flamengo nos fins de semana, pois não quer seus “meninos brincando pela comunidade". Durante a semana, quando não estão no colégio, ficam “presos” dentro de casa. Certa vez uma bala passou tão perto dela que ficou horas sentindo um zunido no ouvido. Noutra ocasião, teve a casa invadida por traficante que fugia da polícia. Com o marido de licença médica, conta com o auxílio do Bolsa Família para sustentar a família reforçada de um recém-nascido.
– Dá para se virar – diz, desanimada.
Ânimo para brigar com a pobreza
Diante da dureza, Gorete precisa buscar motivos diariamente para levantar da cama. Era uma manhã de sábado ensolarada no morro Santo Amaro quando, por volta das 10h, a equipe do Portal batia à porta. Gorete aninhava-se com as quatro crianças em uma cama de casal. O sol que ardia lá fora não penetrava na casa abafada e minúscula onde os pequenos logo pulavam agitados. A agitação infantil era oposta aos gestos reservados de Gorete, como se procurasse forças para encarar o dia. Para Maria da Glória Rocha, coordenadora da Pastoral da Criança no Rio e veterana em trabalho assistenciais no morro, um dos principais desafios é recuperar a esperança que escorre pela falta de comida e de perspectiva:
– Quando se chega numa determinada situação de pobreza, no fundo do poço da miséria, as pessoas ficam com pouco ânimo e coragem para reagir. Levantar da cama é difícil.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
"Opinião pública piora sobre Copa do Mundo no Brasil"
A matéria foi traduzida por ter sido publicada na página online do Wall Street Journal
por Paul Kiernan.
Abril 8, 2014 12:58 ET
Sondagem revela que
55% dos brasileiros acreditam que
o torneio irá trazer "mais perdas do que
benefícios"
RIO DE JANEIRO - Mais da metade
dos brasileiros acham que a Copa do Mundo de futebol será mais prejudicial do
que positiva para o país, uma pesquisa de opinião pública mostrou terça-feira o
mais recente sinal de frustração sobre os projetos atrasados e gastos públicos.
O Instituto de pesquisas local,
Datafolha, informou que 55% dos entrevistados acreditam que a Copa do Mundo,
que será sediada no Brasil em junho e julho, trará "mais perdas do que
benefícios... para os brasileiros em geral."
O ceticismo quanto ao legado da Copa
do Mundo, do qual os organizadores do torneio se referem - promessas de
melhorias na infraestrutura e imagética das 12 cidades - cresceu depois da onda
de protestos nas ruas no ano passado que chamou a atenção para serviços
públicos fracos.
Notavelmente, de acordo com o
Datafolha, a sua pesquisa anterior sobre a percepção da Copa do Mundo aconteceu
em junho, no auge das manifestações. Naquela época, 44% dos brasileiros
pensaram que o torneio seria mais prejudicial que positivo.
O percentual de brasileiros que se
mostram a favor da Copa do Mundo também tem caído de forma constante, de 79% no
final de 2008 para apenas 48% agora, disse o Datafolha. Com pouco mais de dois
meses para o jogo de abertura, uma alta de 41% dos brasileiros se posicionam contra
o projeto.
"Mesmo agora, fora da atmosfera
de protesto, a crítica quanto a hospedagem da Copa do Mundo tem crescido",
disse Mauro Paulino, diretor do Datafolha. "Esse é o resultado mais
importante."
Além do impacto causado pelos
protestos na fase anterior ao torneio, dezenas de projetos que o governo
brasileiro prometeu quanto à melhoria dos aeroportos no país, no transporte
urbano e até mesmo nas instalações desportivas se encontram atrasados ou não
materializados por completo.
Do total de 25,7 bilhões de reais
(11.700 milhões de dólares) orçados pelo governo para projetos relacionados ao
torneio, apenas 13.4 bilhões foram gastos, de acordo com o site do governo
federal.
segunda-feira, 5 de maio de 2014
"Governo monta esquema de guerra para garantir segurança na Copa do Mundo"
Por Marianna Firme
Reportagem publicada no portal IG no dia 05/05/2014
Comitês de segurança estão sendo criados em cidades-sede e até Dilma ficará de sobreaviso para atuar em casos extremos
Com o objetivo de conter atos terroristas e até a violência nas manifestações programadas para o período da Copa do Mundo, o governo montou um esquema de segurança, envolvendo as pastas da Defesa, da Justiça e a da Casa Civil, que funcionará durante o mundial que ocorre em junho.
Esquema para a Copa inclui a presidente Dilma Rousseff (arquivo)
O esquema para a Copa inclui até a participação da presidente Dilma Rousseff, a quem cabe, constitucionalmente, a tarefa de dar a palavra final de atuação das Forças Armadas em casos extremos, como os de ataques terroristas, por exemplo. Por isso, a participação da Casa Civil foi incluída no planejamento das ações de segurança para a Copa, já que é a pasta mais próxima da presidente da República.
Na abertura e no encerramento da Copa do Mundo, o espaço aéreo das cidades-sede será fechado 3 horas antes do início da festa e 4 horas após. Isso ocorrerá em São Paulo e no Rio de Janeiro.
57 mil militares foram mobilizados para atuar pela defesa nas cidades-sede
Para as partidas da primeira fase da competição, nas 12 cidades-sede, o tempo de restrição começa uma hora antes do início do jogo e vai até 3 horas depois do início da partida. Nas demais fases, o espaço aéreo será fechado uma hora antes e até quatro horas depois. Nas áreas restritas, voarão caças, helicópteros, aviões-radar e que reabastecem as aeronaves no ar.
Considerando as três forças, 57 mil militares foram mobilizados para atuar pela defesa nas cidades-sede. De acordo com o Ministério da Defesa, 21 mil militares ficarão de prontidão na chamada força de contingência e, em caso de “pico de crise na segurança”, só serão acionados com a autorização da presidente.
Força de Contingência passa por treinamento para defesa química-biológica
De acordo com o Ministério da Defesa, a força de contingência só será utilizada em situações nas quais haja o esgotamento da capacidade de atuação dos órgãos de segurança pública. Para que ela seja acionada, também terá que haver uma solicitação dos governadores que terão que comprovar a incapacidade de lidar com determinada situação limite.
“Esperamos que a Copa do Mundo transcorra sem qualquer incidente, mas tomamos precauções e nos preparamos para fazer a nossa parte”, disse o ministro da Defesa Celso Amorim.
Custos
A segurança da parte interna dos estádios será totalmente particular, exigência apresentada pela Fifa. As polícias e militares somente atuarão do lado de fora com o objetivo de garantir que os acessos. Mesmo assim, ao todo, a segurança da Copa custou ao governo brasileiro R$ 1,9 bilhão. Deste volume de recursos, R$ 709 milhões foram só para a Defesa.
O restante foi destinado a ações das forças de segurança coordenadas pelo Ministério da Justiça, como a Polícia Federal (PF) a Polícia Rodoviária Federal (PRF), além da Força Nacional.
De acordo com informações do Ministério da Defesa, os repasses estão sendo feitos desde 2012 e a maior parte dos recursos foi destinada a aquisição de equipamentos e treinamentos.
Trabalho de inteligência envolverá a Abin e a PF que atuarão em parceria com Interpol.
Ataques cibernéticos
Um ponto de atenção do governo é a possibilidade de ataques cibernéticos durante o mundial. Essa preocupação cresceu após as revelações de espionagem norte-americanas que atingiram dados até da presidente Dilma Rousseff, no ano passado. Diante disso, boa parte dos equipamentos adquiridos pelo governo para a Copa são computadores, softwares para o chamados centros de defesa cibernética, que ficará sob controle do Exército.
O trabalho, de acordo com o governo, será de identificar possíveis ameaças que coloquem em risco as estruturas controladas por sistemas digitais, os sistemas de tecnologia da informação e ainda as comunicações institucionais do Estado.
De acordo com o planejamento do governo, o trabalho de inteligência para prevenir possíveis ataques envolverá a Abin e a Polícia Federal que atuarão em parceria com Interpol.
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